É preciso fazer mais ante a violência contra a mulher



Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a aplicação da Lei Maria da Penha revelam dois aspectos da violência contra a mulher no Brasil. Um deles é sua extensão. Em quatro anos desde que a lei entrou em vigor, em agosto de 2006, foram mais de 330 mil processos (o levantamento vai até julho de 2010). Eles resultaram em 111 mil sentenças e mais de 70 mil medidas de proteção adotadas nos 51 juizados ou varas especializadas existentes no país (apenas três estados ainda não instituíram delegacias de defesa da mulher: Paraíba, Rondônia e Sergipe). São dados que revelam um altíssimo grau de violência contra a mulher: são mais de 230 processos por dia, que geram cerca de 80 sentenças diárias. Nesses quatro anos ocorreram mais de nove mil prisões em flagrante e a decretação de cerca de 1,5 mil prisões preventivas.

Mas há um aspecto que merece saudação: as agressões de maridos, namorados ou outros familiares contra as mulheres começam a perder a tradicional aura de naturalidade e impunidade. O alto número de processos mostram que a lei “pegou” (ela é conhecida e apoiada por mais de 63% das pessoas) e que os brasileiros começam a se questionar sofre a normalidade do uso da violência das relações entre os dois sexos.

Mas a lei ainda enfrenta forte resistência, Muitos juristas apontam nela aspectos inconstitucionais – um deles por exemplo é o impedimento à mulher de, uma vez começado o processo, “retirar a queixa” – e houve mesmo um juiz, em Sete Lagoas (Minas Gerais), que, no texto de uma sentença, em 2007, considerou a lei “diabólica”. Em novembro de 2010 ele foi suspenso por isso, penalidade revertida por decisão do STF no começo deste ano.

Na sentença proferida em 2007 aquele juiz escreveu que “a desgraça humana começou no Éden, por causa da mulher”, refletindo o machismo dominante e persistente na sociedade brasileira. É contra a realidade preconceituosa refletida por uma frase como esta que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo acusou o enraizamento na cultura social e política brasileira da “permissividade em relação à violência contra a mulher, fruto do preconceito e daquilo que chamamos machismo”.

Os dados que descrevem esta realidade são terríveis. Um levantamento feito em 2010 pelo Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem-Brasil), revelou que 72% das mulheres (três em cada quatro) votam vítimas de violência doméstica e os agressores são os maridos; mais da metade (58%) são agredidas diariamente.

A Lei Maria da Penha é uma conquista civilizatória do povo brasileiro e mundialmente reconhecida como um instrumento adequado para combater a violência contra a mulher. Em seus quatro anos de vigência já teve resultados notáveis, mas é preciso avançar ainda mais. É inaceitável que três quartos da mulheres ainda sejam vítimas de violência doméstica, e que quase seis em cada dez sofrem diariamente. São milhões de mulheres agredidas, humilhadas e brutalizadas, impedidas de se desenvolverem como pessoas autônomas e livres. Embora sejam números consideráveis, 330.000 processos e 111.000 sentenças são uma gota d’água num oceano de iniquidades. É preciso fazer mais.

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Cineclube Sabotage lança videoclipes produzidos por grupos de hip hop de BH

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Cineclube Sabotage lança videoclipes produzidos por grupos de hip hop de BH

Eventos de lançamento acontecem neste fim de semana (de 25 a 27/03) em três pontos da capital

Representantes de grupos de hip hop de Belo Horizonte lançam esta semana videoclipes produzidos nas oficinas Vídeo Clip Hop. As atividades aconteceram de agosto a dezembro de 2010 e envolveram um grupo de 15 pessoas em processos de experimentação para criação de videoclipes e debates sobre linguagem audiovisual, técnicas de animação, produção para MTV, liberdade de criação e creative commons.

Ao final do processo foram produzidos três videoclipes: Constituição: teoria x prática, do Rapper Blitz, W2 e Lane; A Fuga do Fantoche, de Maurício PC e Preto X e Reparações, do grupo Negras Ativas.

Nos dias 25, 26 e 27 acontece uma série de exibições para lançamento dos videoclipes. A primeira será realizada no tradicional Duelo de Mcs, debaixo do Viaduto Santa Tereza. As seguintes acontecem nos bairros Taquaril (comunidade que sedia o Cineclube Sabotage) e Cabana.

Os vídeos produzidos são destinados a exibições abertas ao público em cineclubes, centros culturais, escolas, associações, bibliotecas, oficinas e outros espaços. O DVD contendo a produção gerada nas oficinas será distribuído gratuitamente por meio de solicitações por email.

O projeto

O Cineclube Sabotage é espaço cultural dedicado à exibição de filmes e vídeos nacionais na Escola Municipal Profa. Alcida Torres, localizada no bairro Taquaril, região leste de Belo Horizonte. O projeto é realizado pela Oficina de Imagens e pelo Centro de Referência Hip Hop Brasil. Conta com o apoio do Cine Mais Cultura, Ministério da Cultura e da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, por meio do Fundo Municipal de Cultura.

No ano passado, o Cineclube Sabotage deu início ao processo de produção de conteúdo, uma ação voltada para a experimentação de linguagens, envolvendo jovens e adultos representantes do movimento hip hop de Belo Horizonte.

O quê: Lançamento dos videoclipes produzidos nas oficinas Vídeo Clip Hop, do Cineclube Sabotage

Quando / Onde:

25/03, sexta-feira, a partir das 20h

Duelo de Mc’s

debaixo do Viaduto Santa Tereza

26/03, sábado, às 20h

Taquaril A

Rua Ramiro Siqueira – Próximo à Academia do Montanha

27/03, domingo, às 20h

Associação dos Moradores do Cabana

Rua São Geraldo, s/n

Informações:

Paula Kimo – (31) 3465-6812 ou 9826-3033

cinesabotage.wordpress.com

www.oficinadeimagens.org.br

Email para solicitação de DVDs: cinesabotage@gmail.com

Dia do Grafite homenageia precursor da arte estêncil no Brasil





MAYRA MALDJIAN

DE SÃO PAULO

MAYRA MALDJIAN

No início da década de 80, a metrópole paulista se tornou plataforma de uma nova expressão artística urbana.

Imagens criadas a partir de um molde vazado e tinta spray passaram a dividir muros com as pichações.

Era a "stencil art" ganhando vida e ajudando a construir a linguagem do grafite no Brasil.

Entre os anônimos que se aventuravam pelas ruas com spray na mão e mensagens transgressoras na cabeça, um nome dava a cara a tapa: Alex Vallauri.

"Ele foi o grande responsável por fazer essa passagem da escrita para a imagem", explica Celso Gitahy, grafiteiro da turma dos pioneiros.

Vallauri nasceu em 1949, na Etiópia, cresceu na Itália e viveu no Brasil, onde morreu jovem, em 1987. Em homenagem a ele, instituiu-se a data de sua morte, 27 de março, como o Dia do Grafite.

"Ele foi o pai de todo o mundo", conta Ozi, outro praticante das antigas do estêncil. "Em 81, eu fazia aula de desenho na Pinacoteca e descobri que o autor das imagens que via na rua estava lá, montando uma exposição."

CONTRACULTURA

"O estêncil traz sempre uma discussão", explica Gitahy, autor de "Pet Machine", uma série de animais com cabeça de máquina que propõe uma reflexão sobre a industrialização e a vida.

Ozi, por sua vez, mostra a banalização de ícones da cultura mundial, como Monalisa e Jesus Cristo, pintados com orelhas de Mickey.

Esses trabalhos podem ser vistos na exposição "Elemento Vazado" (leia mais abaixo), em homenagem a Alex Vallauri e ao estêncil paulista.


Moacyr Lopes Junior/Folhapress
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17.03.2011. O mural de estêncil arte criado pelos artistas da exposição Elemento Vazado, em cartaz na Matilha Cultural. (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress, FOLHATEEN).
O mural colaborativo de estêncil da mostra "Elemento Vazado". No centro, a passista-caveira de Rodrigo "Chã"; veja galeria

A PRÁTICA

O estêncil é uma imagem em negativo: a parte clara forma o molde; a escura dá vazão à tinta. Papel cartão ou chapas de raio-x são normalmente utilizadas como base.

Rodrigo "Chã", outro artista da exposição, costuma aplicar estênceis em pôsteres. "É mais fácil para carregar", conta. "Como assinatura, deixo uma pomba", explica. "É uma praga urbana que se reproduz rápido, assim como a nossa arte."

ELEMENTO VAZADO

Dá para passar horas vidrado nas duas paredes da exposição "Elemento Vazado", em cartaz no espaço Matilha Cultural, em São Paulo.

De um lado, um mural colaborativo feito a 12 mãos reúne técnicas dos principais representantes da estêncil arte paulista: Ozie Celso Gitahy, ativos desde os anos 80, Daniel Melim, Rodrigo "Chã" e a dupla Alto Contraste, nomes da nova geração.

Na outra parede, fotografias e máscaras sujas de tinta transportam o visitante para os bastidores desse movimento de contra cultura nas ruas, e ainda dividem espaço com novos e "velhos" trabalhos dos cinco artistas.

Se trombar com um deles por lá, o que não é difícil, vale a pena puxar assunto. É história que não acaba mais.


Ilustrações Rodrigo Damati
UM CENÁRIO,MUITAS TÉCNICAS

-

ARTE LIVRE
Rodrigo "Chã", autor do estêncil abaixo, ensina como aplicar a arte por aí:

1. Cole esta a página em uma superfície mais rígida, como papel cartão ou duplex

2. Recorte as áreas em preto, deixando sempre as "pontes" (traços em branco) como ligação

3. Use um estilete bem afiado e corte sobre uma mesa de vidro (não vai riscar a mesa de jantar, hein!)

4. Use o spray em média distância, apertando pouco para não encharcar a máscara

SEJA CONSCIENTE

1. Não cubra a sinalização de rua, como placas e semáforos

2. Jamais pinte por cima do desenho de outro artista

3. Celebre a arte livre e evite muros de residências ou de comércios que não autorizem esse tipo de intervenção


Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress
Stencil
Texto de :

MAYRA MALDJIAN

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O presidente negro pintou-se de branco e alisou o cabelo





Escrito por Mário Maestri

Não se assustem os leitores. Não se trata de Barack Obama, o 44° presidente yankee, que visitará em breve o Brasil, sob o frisson geral nascido de suas promessas eleitorais reformistas, que, no seu país, já terminou há muito no ralo da decepção. Refiro-me ao infeliz Jim Roy, o 88º presidente estadunidense, eleito no distante ano de 2.228, que se suicidou antes da posse como primeiro mandatário afro-estadunidense. E razões não lhe faltavam para o ato desesperado.

Após embranquecer a pele até parecer uma "barata descascada", ao igual que todos os afro-estadunidenses, Jim Roy amaciou e alisou os cabelos, seguido também por seus eleitores, logo após sua vitória, obtida com manobra eleitoral oportunista. Para tal, serviu-se de milagroso produto oferecido pela indústria branca, que disfarçava potente esterilizador masculino.

Esterilização que, organizada pelos "supremos chefes da raça branca", resolveu o "choque das raças" preservando a "pureza ariana" nos USA, ao pôr um "manso ponto final" à raça negra. Ato consagrado como mais uma "vitória da eugenia" – eugenia, para os que não sabem, é a ciência da melhoria da raça humana pela seleção dos reprodutores, mais ou menos como se faz "na criação de belos cavalos puros-sangues".

Com o título de O choque, o romance do choque das raças na América no ano de 2228, Monteiro Lobato lançou pela então prestigiosa Companhia Editora Nacional, em 1926, texto já apresentado, em vinte capítulos, como folhetim, no jornal A Manhã, do Rio de Janeiro, em setembro e outubro daquele ano. Na edição argentina, de 1935, o livro teve o título El presidente negro: novela americana del año 2228, assumido nas demais re-edições O presidente negro: o choque das raças.

Recuperando o irrecuperável

Em 2008, a Globo reapresentou – em forma oportunista – o romance com o título politicamente correto de O presidente negro, sem referência ao "choque das raças". Na apresentação do romance, "Um fabulista visionário", os autores se retorcem como minhoca na ponta do anzol para livrar o texto das suspeitas de racismo "dos críticos de plantão". Mesmo concedendo "reverberarem" nele as "controvertidas teses de purificação étnica difundidas entre a intelectualidade brasileira", apontam-no como "ficção científica futurista" que mostraria o "conflito (racial)" "sob a perspectiva do próprio negro", combatendo a "imitação dos hábitos e costumes", ou seja, a aculturação negra!

O presidente negro: o choque das raças foi o único romance de Monteiro Lobato. Talvez sua fragilidade literária ajude a compreender por que o prolífico autor jamais retornou ao gênero, consagrando-se literária e economicamente com a literatura infanto-juvenil, que literalmente fundou no Brasil. O romance destaca-se, sobretudo, na produção cultural brasileira como paradigma da literatura e da propaganda racista e eugênica.

E que não fiquem dúvidas. No romance, o narrador e os protagonistas positivos alardeiam as melhorias sociais possíveis de serem obtidas com a literal eliminação dos seres tidos como geneticamente inferiores. "A Lei Owen, como era chamado esse Código da Raça, promoveu a esterilização dos tarados, dos malformados mentais, de todos os indivíduos em suma capazes de prejudicar com má progênie o futuro da espécie".

"Desapareceram os peludos, os surdos-mudos, os aleijados, os loucos, os morféticos, os histéricos, os criminosos natos, os fanáticos, (...), os místicos, os vigaristas, os corruptores de donzelas, as prostitutas, a legião inteira de malformados no físico e no moral, causadores de todas as perturbações da sociedade humana".

Servindo-se da voz de sua heroína, Monteiro Lobato recrimina, igualmente, a "solução" brasileira para a "questão racial" − a miscigenação: "A nossa solução foi medíocre. Estragou as duas raças, fundindo-as. O negro perdeu as suas admiráveis qualidades físicas de selvagem e o branco sofreu a inevitável piora de caráter, conseqüente a todos os cruzamentos entre raças díspares".

O Sul é o meu país!

Mas não devemos nos desesperar sobre o futuro do Brasil, que Monteiro Lobato também aborda. Ele foi dividido em dois, nesse distante futuro. Os mestiços de portugueses, negros, índios e asiáticos ficaram reduzidos ao marasmo, na parte norte "tropical", enquanto o arianismo dos imigrantes dava origem, na parte sul, ao longo do rio Paraná, a uma vigorosa e saudável civilização ariana, no melhor estilo do "O Sul é o meu País". Metade sul acrescida, porém, da Argentina, Uruguai e Paraguai − o que foi feito da população guarani do último país, certamente inferior, o autor não revela!

O romance de Monteiro Lobato não pode ser qualificado de nazista e genocidário apenas por ter precedido o sucesso daquele movimento, vitorioso na Alemanha apenas em 1933, e o extermínio de judeus, ciganos, doentes mentais, mal-formados etc., durante a 2ª Guerra Mundial. Massacre multitudinário seletivo em nome da pureza e da seleção racial que cunharia o sentido moderno do termo genocídio. Um dos interesses dessa ficção macabra de Monteiro Lobato é precisamente o registro, no Brasil, da larga propaganda racista e eugenista mundial, que precedeu a vitória do nacional-socialismo na Alemanha, expressão particular, e não construtora, dessa visão racista e classista de mundo.

Além de racista, Monteiro Lobato era também sexista. Para o gentil criador da Emília, do Sítio do Pica-pau Amarelo, não é que a mulher seja inferior, ela é apenas constitutivamente diferente, o que lhe determina sua inferioridade nata! "Menos de uma pretensa inferioridade de cérebro de que uma organização cerebral diversa da do homem e, portanto, inapta a produzir o mesmo rendimento quando submetida ao mesmo regime de educação".

A definição da "feminista" não deixa dúvidas sobre a visão do autor sobre a necessária submissão voluntária da mulher ao homem que, diga-se de passagem, conclui a revolta e a organização feminina branca independente, que permitiram a chegada ao poder do presidente preto. "(...) a feminista, a odiosa mulher-homem", que pensa "com idéias de homens", usa "colarinho de homens", conseguindo apenas "não ser homem nem mulher".

O presidente negro: o choque das raças apresenta-nos, com singular falta de pudor, a visão racista e eugênica de mundo compartida, em maior ou menor grau, por grandes parcelas da intelectualidade e das chamadas classes dominantes no Brasil, nas primeiras décadas da República.

Teorias da hierarquização racial que, apenas mediadas com maior contenção, foram a base de interpretações referenciais na cultura brasileira, como Os sertões: campanha de Canudos (1902), e Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal (1933), de Gilberto Freyre. No Rio Grande do Sul, um dos expoentes dessas visões raciais foi o historiador Moysés Vellinho, patrono do Arquivo Histórico de Porto Alegre.

Mário Maestri é professor do Curso e do Programa de Pós-Graduação em História da UPF-RS.

E-mail: maestri@via-rs.net


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Fanzines voltam a ganhar espaço no Brasil


Depois de quase ser extinto com a chegada da internet, publicação vive fase de ouro

Flávia Denise de Magalhães - Ragga
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CARLOS HAUCK/ESP. EM
Escolha cuidadosamente o material que você quer publicar

Você chega em casa, liga o computador e abre o site da sua banda preferida. Lá, você pode conversar com gente do mundo inteiro sobre o quanto vocês adoram a música e como estão animados para a chegada do segundo álbum. Enquanto discute quais serão as influências do artista, entra em um site de esportes e confere como está indo o jogo do seu time em tempo real e comenta com gente do país inteiro. Você abre mais uma aba no navegador e acessa seu Twitter para passar os melhores momentos do jogo e os insights da discussão para seus amigos mais “íntimos”, além de receber links de sites e blogs do mundo inteiro sobre as coisas que você mais gosta.


Viver na era da internet definitivamente tem suas vantagens, mas nem todas as coisas boas começaram online. Em uma época em que as revistas de circulação nacional e a TV eram a principal fonte de informações, grupos de adolescentes dos anos 70, 80 e 90 criaram uma rede para trocar indicações de bandas, filmes, quadrinhos e livros. A base dessa rede era o fanzine, uma espécie de revista, normalmente xerocada, criada, escrita, editada e distribuída entre os aficionados por informação. É essa história que conta o documentário Fanzineiros do século passado: capítulo 1, de Márcio Sno.


A rede social do fanzine não era tão simples quanto o Twitter. “As dificuldades eram muitas, mas, como não tinha internet, a gente não tinha como fazer a comparação”, explica. “Digamos que a gente ia entrevistar uma banda de Goiânia. Eles mandavam a fita demo por correio, a gente escutava e mandava perguntas por carta. Às vezes eles demoravam um mês para responder”, relata Márcio. Para ele, a grande vantagem da época é que “tudo era feito com mais calor”.


Todo mundo que fazia um zine se conhecia. Quando o material era finalmente impresso, o fanzineiro já tinha uma lista de gente que tinha mandado um zine para ele e estava esperando receber o material do cara. Cada cópia virava uma carta social (uma opção do correio, que permite que uma carta de uma página seja enviada por R$ 0,01) e assim elas rodavam o país. Lojas de vinil, fita cassete e CD também participavam no esforço da disseminação da informação. Em cima do balcão ficava o material grátis, mas muitas vezes os vendedores tinham os zines mais elaborados, às vezes impressos na gráfica, para quem tivesse interesse.


E, dessa forma, toda uma geração se comunicava. Bandas underground ganharam notoriedade, filmes que não arrecadaram nada nos cinemas faziam sucesso nas locadoras e livros eram emprestados. Isso até que a internet chegou. “Os anos 90 foram uma década paradoxal. A primeira metade foi a época em que foram produzidos mais fanzines no Brasil. Na segunda metade, os zines migraram para os blogs e os e-zines”, explica Márcio.

CARLOS HAUCK/ESP. EM
Depois da arte, o xerox: nosso fanzine ficando pronto

A VOLTA DOS FANZINES
Márcio conta que a ideia inicial era fazer um documentário para registrar depoimentos dessa geração fanzineira, mas, ao longo das filmagens, acabou extrapolando o projeto original ao perceber que a arte que ele julgava morta está retornando. “No último ano rolou um boom na fabricação de fanzines. Isso rola por três motivos. O primeiro é a nostalgia, o pessoal está querendo publicar no formato impresso para poder pegar no papel, brincar com a diagramação. O segundo é o uso do material em sala de aula. Muito professor usa o fanzine como uma forma de incentivar a escrita, fazer um projeto diferente. O terceiro é que o formato em si é bacana. Eu comparo com a volta do vinil. O prazer de pegar o disco e colocar na vitrola”, explicou Márcio.


Não faltam novos fanzines. Em fevereiro desse ano, os DJs Lola B, Carol Morena e elCabong lançaram um zine, A bolha, que acompanha uma festa mensal que eles discotecam em Salvador, na Bahia. O rocartê também é novidade na cena brasileira. Surgiu no último ano e está na segunda edição. “O problema é que hoje quem faz o zine lança um agora, e outro não sei quando. Existe uma rede, mas ela ainda está se constituindo, não é tão forte como antes. Talvez daqui a seis meses, um ano, ela possa ser comparada com o que tínhamos antes”, completa.

O SEU PRIMEIRO FANZINE
Fazer o seu primeiro fanzine é o mesmo que passar por uma espécie de iniciação. Escolher cuidadosamente o material que você quer publicar, procurar as imagens, e brincar com a diagramação são passos divertidos e importantes para quem quer entrar no meio. Confira o nosso tutorial!

ANTES DE COMEÇAR:
A. Escolha um tema. Sobre o que o seu fanzine vai falar?
B. Decida o número de páginas (8, 12, 16 etc.).
C. Escreva o texto.
D. Faça fotos ou procure imagens em revistas ou na internet.
E. Assim como as fotos, o texto deve ser impresso. Programas de edição de texto, como o Word, dividem em duas ou mais colunas. Corte a página, separando os parágrafos.

1. Dobre as páginas ao meio, como uma revista. Enumere as páginas para não se perder.

2. Com as fotos e o texto já cortados, você começa a montar o zine. Você pode usar cola ou fita crepe. Cada página pode seguir uma orientação (horizontal ou vertical), não se preocupe com regras. Só tome cuidado para não perder a ordem do texto.

3. Quando chegar ao final, lembre-se de escrever o seu contato. Você pode imprimir ou escrever com uma caneta mesmo. Isso é muito importante para que seus leitores e outros fanzineiros possam entrar em contato com você!

4. Na hora de fazer a capa, o importante é ser criativo. Se você souber desenhar, agora é a hora!

5. Desmonte o fanzine e tire xerox das páginas. Depois disso é só grampear e distribuir.

PARA SABER MAIS

ZINESCÓPIO (zinescopio.wordpress.com)
Tudo começou como uma brincadeira, mas acabou virando projeto sério. Seu criador está dedicando o seu 2011 para digitalizar todos os fanzines em sua coleção. Além disso, recebe material de gente do país inteiro e está criando uma biblioteca de zines.

1º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES (ugrapress.wordpress.com)
A ideia é que ele seja um guia completo para editores e leitores de zines. São mais de 120 resenhas, além de entrevistas e matérias sobre o mundo dos zines.


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Mas e aí? Basta ser mulher?


Luka Franca

E passou o 8 de março, passou mostrando novamente que as mulheres do mundo ainda tem muita luta para fazer!


Não apenas pelos seus direitos, mas até mesmo para convencer seus próprios companheiros de que uma real revolução somente será feita com a participação das mulheres trabalhadoras, e que na pauta sejam garantidos nossos direitos. É inegável a retomada das mobilizações nos países árabes e a importância das mulheres trabalhadoras nestas mobilizações, apontando reflexo nas próprias mobilizações do 8 de março pelo mundo.

No maior símbolo de esperança para a mudança social, vimos acontecer uma das mais lamentáveis cenas do Dia Internacional de Luta das Mulheres deste ano: a Praça Tahrir. A manifestação das mulheres egípcias foi marcada para o epicentro da revolução. No Egito, foi recebida por diversos setores como uma tentativa de cindir o movimento revolucionário, mulheres estas que lutaram ao lado dos homens pela derrubada de Mubarak, porém não tiveram suas pautas contempladas pelo governo provisório, - até por que o último comitê formado para escrever uma nova constituição egípcia é formado apenas por homens.

Há muita luta no Egito pela emancipação da mulher, até por que, como já disse, nas instâncias que hoje podem realmente mudar algo na realidade egípcia as mulheres de lá não estão presentes. Diferente, por exemplo, do Brasil o qual passou pelo primeiro 8 de março tendo uma presidenta da república, e este fato inovador teve páginas e minutos de sobra na grande mídia e também na mídia alternativa. No Egito, as mulheres lutam para conquistar direitos que nós já temos. No Brasil, lutamos para não retroceder e poder avançar.

Sim, vivemos no Brasil uma conjuntura de pressão conservadora em cima dos direitos que conquistamos enorme, - tanto que a primeira presidenta do nosso país foi eleita em uma conjuntura de retrocesso para o movimento de mulheres, e isso precisa ficar muito claro para todas nós. As eleições brasileiras conseguiram coroar um processo que já vinha se mostrando há tempos com a tentativa de instaurar a CPI do Aborto, assinatura do Acordo Brasil-Vaticano, recuo de pontos polêmicos do PNDH-3 e tudo isso ainda no governo Lula.

Foi após este vergonhoso cenário que fomos às ruas do centro de São Paulo no dia 12 de março, -não é mais governo Lula, agora é governo Dilma -, e novamente se ouve no movimento feminista que o governo não pode fazer nada sozinho; que é preciso estar na rua e fazer o debate nas nossas bases. Mas, como apontar a necessidade do feminismo na ordem do dia se temos receio em falar que, apesar de estar apenas há 100 dias governando o Brasil, a presidenta da república corta o orçamento em setores importantíssimos para a vida das mulheres brasileiras? Dizem os economistas que foram cortes no orçamento de setores não fundamentais, porém ali encontramos o corte de quase 1/3 na Previdência Social atingindo diretamente pensões e aposentadorias que em grande parte são das mulheres.

É, o machismo não sumiu do país com a eleição de Dilma Rousseff, muito menos o feminismo avançou. Na verdade, entramos na seara da contradição: de um lado a base do governo brada pelo combate a violência contra a mulher e a própria presidenta pede a população que denunciea violência sexista, em contrapartida tem-se o tacão do corte no orçamento - promovido por esta mesma pessoa -, a qual deturpa 22% da verba destinada ao principal programa da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o Pacto de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. O mesmo Pacto que Serra assinou como governador, e não implementou no estado de São Paulo, denunciado e pressionado pelas governistas por aqui.

Desculpem, mas pra mim tal corte em programa tão importante do governo não é superficialidade, pois o Brasil elegeu uma presidenta, quando neste país a cada 15 minutos uma mulher é espancada; 10 mulheres morrem por dia; e 40% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica. Honrar as mulheres é honrar a garantia de nossas vidas, e não os 40% do orçamento para pagar a dívida interna.

Temos escancarada, aqui e agora, a contradição de termos uma mulher no poder, entretanto uma mulher comprometida em não enviar ao congresso projetos de lei que debatam a legalização do aborto ou o casamento civil igualitário. Ora, sabemos muito bem que um projeto apoiado pelo Executivo tem outro peso ao passar pelo legislativo. Dilma já mostrou muito bem quem não intercederá pelos direitos das mulheres ou da classe trabalhadora.

Em momento tão adverso, é tarefa do movimento feminista brasileiro se levantar e dizer que não aceitaremos os cortes no orçamento, pois a esmagadora maioria nos atinge diretamente. Denunciar o aumento abusivo que os deputados e senadores votaram para si mesmos de mais de 60%, enquanto aprovavam uma política vergonhosa de reajuste do salário mínimo de 6%, - e que não irá debater o valor do mesmo nos próximos 4 anos-, é nosso dever. Sem esquecer a sempre polêmica do Haiti: o novo governo tanto falou de ajudar a reconstrução do Haiti no começo do ano, mas nada disse sobre respeito aos direitos humanos e as denúncias de violência sexual sofrida por mulheres, em acampamentos sob a proteção da missão da ONU - chefiada pelo Brasil. É tarefa difícil esta, principalmente se continuarmos enevoadas com a isca de que ter uma mulher no poder basta. O que precisamos mesmo para avançar na nossa luta é independência política e autonomia frente ao governo, sem ilusões e com disposição de fazer o debate de forma global, sem escamotear quem são os atores da política que atingem as mulheres diretamente.

Ainda há muito pelo que lutar. No Egito, por conta da não participação das mulheres nas instâncias que mudariam substancialmente a sua situação. Aqui, por termos como presidenta alguém que mostra dia após dia que veio para aplicar políticas e mais políticas que nos atacam, ajudando a corroborar com o estereótipo de mulher mãe da nação... E, com isso o tempo urge...


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MCs invadem o asfalto em BH



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Barbara Dutra - Divulgação



“Skatista, boy, patricinha, doidinha, punk, músico e produtor, dá de tudo”. É assim que o DJ Jahnú, da festa Original Sundays, define o público que frequenta o Arcadium, onde rola o evento – aos domingos, obviamente. Na Original tem música da Jamaica. De ska a reggae, soul a funk anos 70, e muito rap. Segundo Jahnú, sons inseparáveis, que interagem, se completam e trocam influências: “Veio tudo da África. Não lembra da música ‘Punk Reggae Party’ do Bob Marley? Ele fez quando acompanhou uma turnê do Sex Pistols. Não para cantar, a convite do Sid Vicious, mesmo”.

Tudo junto e misturado. É assim que os MCs invadem o asfalto e que maninho Zona Sul também manda rima. “As visões, em termos de festa, são diferentes. Na periferia, hip hop tem mais essência e vontade. Na Zona Sul, o propósito é mais de festa”, palpita o DJ Xeréu, sócio do Jahnú na Original: “Mas a música é a mesma. Na periferia tem mais gente fazendo. Mas conheço gente da zona sul que rima e faz tão bem quanto o cara da periferia”, conclui.

O hip hop, não se esqueça, é um movimento definido por quatro elementos: bboy, grafite, DJ e MC. O MC Dusares – que é do centro de BH - lembra: “Tenho que pagar um produtor, um DJ, um estúdio para gravar um CD. Nem todo o movimento que acontece no hip hop tem recurso financeiro e se a galera está consumindo, ajuda a levantar a grana para investir na produção”. Mas, afinal, Dusares, porque a Zona Sul está indo para a balada de rap? “A galera que está colando deve estar em busca de um lugar mais alternativo. E tem a batida, que é mais frenética. É uma parada tipo gringa, que nem dos americanos, que botam um batidão e geral vai dançando”, analisa Dusares.

E a pergunta que fica é: se rola a mistura de classes, onde fica a função social da letra do MC, do protesto? “O rap é, justamente, uma forma de protesto. Então, já que tem uma mistura de classes. é bom que todos fiquem sabendo o que pega”, define Dusares. Outro MC, que também é produtor, Gurila Mangani engrossa o coro: “Depende do MC. Eu tento passar, na minha música, muito o lado espiritual. Acredito que a revolução vem de dentro”. Gurila, que é de Santa Luzia e cola com caras como Gutierrez e De Leve garante que a festa é diferente, de acordo com a locação: “Já toquei em balada de favela, festa de traficante e na Zona Sul. O público da Zona Sul está lá mais pela animação. Na favela, o público está pelo hip hop mesmo, é mais sério”, esclarece.

Marcelo Sant'Anna - Estado de Minas



Agora, saiba mais

Com a palavra, a galera que organiza as festas e o rei do rap pop mineiro, Renegado:

Major Groove

Ramiro Maia, proprietário do Major Lock, garante que a onda está rolando e não é só em BH. O hip hop já anda balançando as pistas do Rio de Janeiro e da gringa “Estava em Paris há pouco tempo e toda festa bacana que eu ia, a galera escutava hip hop”, garante.

No Major Lock, casa que bomba há anos na zona sul de BH, aos sábados, rola o Major Groove, há três anos, com o surf music como prata da casa. A pitadinha de hip hop sempre existiu, mas agora, tá mais na cara. No último sábado, rolou show com os rappers De Leve, Speed Freaks e Thales Dusares, além de um live com o trio Butijão Funk filter.

Para Ramiro, uma possível explicação da invasão geral do hip hop é a batida: “Apesar de ser uma música de protesto, teve um pouco essa evolução, de falar mais de cotidiano, de mulher... E a própria batida parece que é um pouco mesclada com o eletrônico. Teve uma mistura do hip hop puro com um pouco de eletrônico que a galera assimilou com força”, define. E ele não está sozinho nessa idéia.

Michelle Soares - Divulgação



Escoladuz

DJ Nel, que também é produtor, engrossa o coro de Ramiro apostando na batida: “Os produtores, quem faz a base e o instrumental, está procurando uma coisa mais dançante. E isso cai em boate, em festa”. Nel se juntou ao MC Papo e Alexandre Maia para fazer o sucesso do YouTube, Escoladuz.

O negócio virou sucesso em BH e no RJ e já tem até comunidade no Orkut e perfil no MySpace. E se você escutar vai rir. De protesto de MC, os Escoladuz não têm nada.

Aliás, talvez esteja mesmo na hora de deixar de lado o preconceito em cair na boca da galera: “Está acabando isso de o cara que é do rap dizer que nunca vai fazer Faustão. O rap também está ficando um pouco pop para poder sobreviver. Não dá para ficar só no underground. Ser mais pop abre a porta pra conhecer o trabalho”, garante Nel.

Renegado

Sair do underground é coisa que Renegado faz com mestria, inclusive ajudando a abrir as portas pra galera. O rapper mineiro acaba de voltar de uma turnê no Nordeste, com direito a shows em Aracaju, João Pessoa, Recife, Porto de Galinhas e Salvador, com o Pelourinho lotado. Agora, em março, o cara vai para o Sul com shows já confirmados em Curitiba e Florianópolis. Para conversar com a Ragga, ele falou de um celular no Rio de Janeiro, onde têm feito diversos shows. Se isso não é invadir a zona sul, então, pode chamar de tomar conta do país. Aliás, país é pouco pro cara que alcançou um feito inédito para os mineiros: um prêmio no Hutuz. Um não, dois. O que é raríssimo na história da premiação. Renegado faturou “revelação do ano” e “melhor site”.

Acesse a página de Renegado no MySpace

É com essa bagagem que o cara garante que as coisas não estão rolando por acaso: “O fato de o rap entrar hoje na zona sul não é coincidência. Não estão consumindo porque caiu no povo. Tem uma nova concepção de fazer com que o rap se torne parte da cultura do povo brasileiro. Por isso a gente está levando o trabalho também para a zona sul, mas não só lá. Tem o público das comunidades também. A idéia é o que sempre falo, de quebrar a fronteira entre o morro e o asfalto. A música, seja num baile ou durante um show, tem a função de aproximar as pessoas”, explica.

Renegado também concorda com DJ Nel: “No Brasil, o rap é mais uma música de protesto e reivindicação. Por isso, as pessoas dão ao rap uma cara que não dão mais para o samba hoje, nem para o rock. Ele acaba sendo pré-julgado. Mas hoje, a periferia está emancipada e o rap não pode ficar estagnado no tempo”.

Não pode e, se depender do Renegado, não vai: “O rap tem essa sacada de o pessoal estar se renovando e ocupando outros espaços. Tem uma musicalidade maior, as bases são mais dançantes, mais bem produzidas. Hoje, temos um discurso aliado à música bem feita, bem concebida, com uma verdade forte, ocupando outros espaços”, explica e evoca a galera: “Antes, no rádio, só tocava rap gringo, norte americano. Agora, os meios estão se abrindo para o rap nacional e, cabe a gente, fazer entrar. A mídia e os meios estão aqui pra serem nossos parceiros. Vamos nos aliar para fazer com que os movimentos e tendência tomem corpo e proporções”. Vambora, Renegado.

Michelle Soares - Divulgação



Clube hip hop

Mas também, não é por isso que a galera agora vai ouvir só o batidão da periferia (ou das letras engraçadinhas). O projeto Clube Hip Hop, que é organizado por Henrique Chaves - produtor de eventos e um dos proprietários da SW entretenimento – mescla elementos da música eletrônica e convida DJs internacionais, na festa que rola toda primeira sexta-feira do mês, na boate NaSala, em BH.

Henrique sabe bem o que agrada aos ouvidos da galera: “O rap com apelo social, nada de comercial, não funciona na pista. Mas há exceções. O Rapin Hood, por exemplo, gravou o Rap du bom com o Caetano Veloso e eu já entrei em carro de amiga minha onde rolava esse som no CD”.

Tanto sabe, que já mandou avisar: a day party Get Loose, que rola todo ano, em 2009, promete hip hop.

Álcool: a droga da morte



(Crédito imagem: http://problemasnaadolescencia12a.blogspot.com)

Qual a droga que mais mata no Brasil? O crack, a maconha, a heroína ou o êxtase? Não. O que mais mata no Brasil é o álcool. Segundo o Ministério da Saúde, as maiores causas de morte são problemas cardiovasculares e o câncer, duas doenças relacionadas ao álcool. Mas a perda de vidas não está associada somente às doenças relacionadas ao vício. Metade das mortes no trânsito (em número absolutos, cerca de 17 mil vítimas anuais) envolve motoristas embriagados. Mesmo em pequenas doses, o álcool prejudica a percepção de velocidade e distância; pode causar dupla visão e incapacidade de coordenação. Resultado: milhares de vidas ceifadas no trânsito.


O consumo de álcool no Brasil é quase 50% superior à média mundial e o comportamento de risco no país já supera o padrão da Rússia (considerado um país onde se bebe muito). Levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que os brasileiros com mais de 15 anos bebem o equivalente a 10 litros de álcool puro por ano – a média no mundo é de 6,1 litros. Entre os homens que bebem, a taxa é de 24,4 litros de álcool por ano e entre as mulheres, de 10 litros. O álcool é responsável por 7,2% das mortes – índice quase duas vezes superior à média mundial. Cerca de 30% da população que admite beber frequentemente afirma que se embriaga pelo menos uma vez por semana. Nos EUA, a taxa é de 13%, contra 12%, na Itália. Mesmo na Rússia, o índice daqueles que exageram na bebida é inferior ao do Brasil: 21%. A cerveja é responsável por 54% do consumo de álcool no Brasil. Mas os destilados representam 40%, uma taxa considerada alta. O vinho corresponde a cerca de 5%. Se somarmos as mortes no trânsito derivadas do consumo de álcool àquelas por motivações fúteis, pertinentes a esse vício, e às relacionadas a doenças associadas ao alcoolismo (cardiovasculares e cânceres), teremos o álcool, além de a principal causa de óbitos, também como o maior motivador da violência no país.


Pesquisa realizada pelo sociólogo Guaracy Mingardi, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), em 14 delegacias dos bairros mais violentos da Zona Sul paulistana, constatou que o álcool é o agente detonador de, pelo menos, 41% dos homicídios. Outra, feita pelo Instituto Médico Legal paulista em 2005, revelou que as 2.007 vítimas de homicídio no estado de São Paulo, 863 tinham consumido álcool, sendo que 785 delas tinham mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. Os dados estão no trabalho “Uso de álcool por vítimas de homicídio no município de São Paulo”, do pesquisador Gabriel Andreuccetti, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), premiado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) em 2007. Outra pesquisa premiada pela Senad, Políticas municipais relacionadas ao álcool: análise da lei de fechamento de bares e outras estratégias comunitárias em Diadema (SP), do médico Sérgio Duailibi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra a forte correlação entre álcool e violência nas mortes por motivos fúteis.


Mas por que no Brasil as políticas de controle e redução das mortes provocadas pelo álcool são quase inexistentes? Porque a indústria do álcool (como a das armas) é poderosíssima: tem bancada nos parlamentos, controla altíssimas verbas publicitárias na mídia e, recentemente, é responsável pela promoção de grandes eventos, inscritos, entre outros, naquilo que se denominou chamar de “paixão popular”. Ademais, com uma propaganda constante e subliminar (que inclusive associa álcool, sexo e prazer), a indústria do álcool captura com facilidade milhões de jovens, que serão reféns desse vício por longos anos (provocando enormes custos de tratamento no sistema de saúde) ou constarão, em breve, das estatísticas das mortes em nosso país.

Qual a sua opinião sobre os efeitos do álcool na vida das pessoas, das famílias e da sociedade?

Crack ou oxi, sinônimos de morte


(*Archimedes Marques)


Em recente pesquisa sobre o presente tema notei que alguns setores da imprensa brasileira identificaram o que seria uma nova droga também proveniente da cocaína: o oxi. Tal droga seria uma espécie de crack piorado, vez que em sua composição química vários outros produtos são adicionados pelos traficantes manipuladores no intuito de aumentar o lucro financeiro do seu comércio, com o barateamento do produto que assim é sempre melhor consumido pela classe mais pobre do nosso país.

É fato científico que para se fabricar o crack, é usada a pasta base da cocaína que adicionada ao bicarbonato de sódio em proporções equivalentes, manipulados com solventes, se transformam em espécie de pedra meio tenra de cor branca caramelizada. Assim, oficialmente o crack é composto basicamente do lixo da cocaína e do bicarbonato de sódio.

Já o oxi vai mais além na sua insanidade. O seu nome de batismo deriva do verbo oxidar, vez que a borra da cocaína ao ser diluída com o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico, misturados e manipulados com a cal virgem, querosene ou gasolina, além do próprio bicarbonato de sódio em combinação com o oxigênio, realiza a transformação química, oxidando o produto também em forma de pedra, só que mais amarelo e bem mais nocivo que o crack.

Em todos os artigos que escrevi sobre o crack sempre contestei a sua fórmula química oficial que não existe em sua composição qualquer produto inflamável. Em contra senso, observa-se perfeitamente que há na pedra do crack o cheiro inconfundível de gasolina ou querosene, ademais alguns usuários me disseram que o odor e o gosto da fumaça inalada é semelhante a pneu queimado, razão pela qual, sempre falei que a cal, o querosene ou gasolina, os ácidos sulfúrico e clorídrico e o bicarbonato de sódio, além da pasta base da cocaína, fazem parte da composição química dessa droga, entretanto agora aparece o oxi como sendo o dono de tal fórmula diabólica.

Em assim sendo, fica a dúvida se os viciados brasileiros estariam consumindo o crack ou o oxi, o que, em absoluto não faz muita diferença. Parece no meu ver, apenas uma questão de nomenclatura. Crack ou oxi se confundem e representam a degradação humana, sofrimento e dor nas suas formas mais drásticas possíveis.

Crack e oxi também pode ser uma coisa só e a fórmula que tanto descrevi e combati veementemente pode ser a exata em detrimento à fórmula oficial do crack originada dos EUA, há mais de três décadas atrás. A não ser que o crack dos norte-americanos seja diferente e menos perigoso que o nosso crack. A não ser que o nosso crack seja na verdade o oxi, um crack piorado, falsificado e abrasileirado como tantos outros produtos importados.

Na verdade, sendo crack ou oxi, o usuário ao fumar toda essa parafernália de produtos altamente nocivos e perigosos, aspira o vapor venenoso para dentro de seus pulmões, entrando em conseqüência na sua corrente sanguínea. Como a droga é inalada na forma de fumaça chega ao cérebro muito mais rápido do que a cocaína ou de qualquer outra droga, causando também malefícios mais abrangentes para o usuário que sempre vicia a partir do seu primeiro experimento.


O usuário do crack ou oxi pode ter convulsão e como conseqüência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca e enfim, a morte. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é assolador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta e traquéia, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico presente na absurda fórmula dessas drogas assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.

É fácil de concluir que os problemas deixados pelo crack ou oxi em todas as áreas sociais crescem em grandes proporções e atingem em cheio o nosso povo, deixando rastros de lama, miséria, sangue e lágrimas, em destaque, para a classe mais pobre do nosso país, mais de perto, para os jovens menos avisados que se lançam nesse profundo poço de difícil retorno.

(Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br



Hip hop tem noite em paz em Taboão da Serra


Por: Guilherme Bryan e Virginia Toledo, da Rede Brasil Atual


Hip hop tem noite em paz em Taboão da Serra

O evento contou com a participação especial de Mano Brow, dos Racionais MC's (Foto: Rede Brasil Atual)

São Paulo – Uma fila de bicicletas em frente ao palco, rapazes e crianças dançando em círculo, casais acompanhando os shows na companhia dos animais de estimação, um artista grafitando o que escuta e presencia. No palco, uma multidão de anônimos e famosos, divertindo-se e transmitindo mensagens de paz. Assim foi a segunda edição do "Projeto Hip Hop Atitude", na noite de domingo (14), em Taboão da Serra (SP).

Segundo a Guarda Civil Metropolitana, 15 mil pessoas compareceram a apresentações de grupos da região e dos Racionais MCs. O evento foi realizado pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Taboão da Serra, em parceria com a Associação Fique ONG Vivo.

A abertura foi do grupo De Loná, expressão que, segundo os integrantes, significa "Chegar no seu caminho", em um dialeto africano. Formado por quatro garotos – Ronaldinho, Dj Neew, Deauto e Rafa –, a atuação do grupo, que se identifica como "família", assim como os demais do hip hop, vai além da apresentação propriamente dita. Os meninos mantêm um trabalho social envolvendo crianças e jovens no bairro de Guaianases, na zona leste de São Paulo, aos quais oferecem oficinas de rap, break e beat box (som que se produz pela boca), que são elementos constituintes da cultura hip hop, assim como o grafite.

Ver os integrantes do grupo posando para fotos com seus aparelhos de microsystem saídos da década de 1980, descontraídos, mas sem perder o ar de responsabilidade de quem representa uma comunidade, é um show a parte. Assim como as letras do grupo, cujo integrante Ronaldinho garante que encontrou no hip hop uma maneira de se interessar pela leitura e ter uma visão mais aberta para outros estilos musicais.

Enquanto o som rolava no palco, o grafiteiro Ricardo Machado, mais conhecido como Sotaq, mandava ver na tinta para reproduzir na tela o desenho de um garoto que representa o hip hop, com todos os seus elementos, incluindo o boné e as correntes. Próximo dali, um grupo de b-boys, como são identificados os dançarinos de break, se apresentava no meio da Praça Luiz Gonzaga.

Entre os mais animados, estava Ronaldo Marques, líder do grupo Família Gangster, que mantém projeto na cidade para expandir a dança de rua. Ronaldo explica que pode ser b-boy quem quer. "De criança a adulto é só querer brincar um pouco na roda que já aprende", garante. Naquele momento, entrava para "brincar" na roda o menino Vitor, de 11 anos. Olhando para as pessoas ao redor, que o aplaudiam, o garoto explicava que pretende seguir carreira como b-boy para se "apresentar na televisão".

"Esse evento é para coroar um movimento que começou há 20 anos com os encontros de hip hop e os bailes", relembra Gaspar, integrante do grupo Hip Hop Atitude, iniciado em 2005, e membro do grupo Z’África Brasil, que se apresentara no sábado. "A praça Luiz Gonzaga sempre foi o berço dessa cultura, que atingiu o auge na década de 1990 com o encontro dos b-boys. Nos anos 2000, nos voltamos mais para o trabalho social para desenvolver o hip hop na prática, implantando oficinas culturais. Hoje, vamos de 15 em 15 dias em comunidades carentes e realizamos oficinas semanais”, comemora.

Outro a ressaltar a importância da praça foi o poeta Sérgio Vaz, que chegou atraindo multidões com distribuição das revistas da Cooperifa e ressaltou: “Fazer poesia para tanta gente é emocionante, assim como esse evento que resgata a cultura hip hop e valoriza a troca de experiências”. Arrepiado, ele acrescentou: “Imagine se Luiz Gonzaga não estaria feliz se também estivesse presente".

No palco, chamava a atenção a apresentação do primeiro grupo brasileiro mulçumano hip hop, Organização Jihad Racional, com todos os integrantes vestidos a caráter, transmitindo mensagens de paz, falando em religião islâmica e trazendo também elementos africanos. “O rap foi apenas uma maneira que encontramos para falar da essência do islã, que é tão distorcida pela televisão”, garantia o MC .

A grande atração de uma noite de paz e cultura hip hop foi Mano Brown e DJ KL Jay, ambos integrantes do grupo Racionais MCs, que receberam dezenas de convidados no palco, das mais diferentes faixas etárias, quase todos de camisas listradas e muita força na voz, e levaram o público ao delírio. “Os caras já desenvolvem um trabalho muito bom aqui. Eu só vim (depois de sete anos sem se apresentar no Taboão da Serra) para acrescentar e somar”, finalizou Mano Brown.

Conheça o Blog do Eus-R: Click »» http://eusr.wordpress.com/ - Conheça mais um espaço de dialogo da Cultura Hip Hop e do Rap. Um Abraço!

Drogas e AIDS em trágicos caminhos


(*Archimedes Marques)

É desejo de todo o ser humano viver intensamente por muito tempo, aproveitar os prazeres da vida com alegria e disposição, conviver amistosamente com seus familiares e amigos, ir para onde bem quiser com liberdade e autonomia, e, acima de tudo, ser saudável física e mentalmente, entretanto, nos caminhos da vida muitos descambam para a marginalidade das leis vigentes e para o submundo horripilante das drogas, consciente ou inconscientemente.

Está dentre os malefícios criados do homem para o homem, as drogas ilícitas ou mesmo lícitas, tais como: skunk, maconha, haxixe, ecstasy, morfina, heroína, ópio, LSD, anfetamina, cocaína, merla, crack, oxi, cristal, paco, codeína, rebite, lança-perfume, clorofórmio, peiote, mescalina, psilocibina, demais drogas psicoativas, além do álcool e do tabaco que são as mais comuns.

Tais drogas fazem as suas partes ilusórias de supostas melhoras psicológicas na mente humana em busca de um reino fantástico através de uma imaginação distorcida, com breves momentos estimulantes, entorpecentes e alucinógenos, quando na verdade leva o individuo para uma morte precoce e sofrida com a devastação e doença de vários dos seus órgãos, além de arrastar junto em grande sofrimento e dor os seus entes queridos.

Os efeitos das drogas são avassaladores e devastadores no organismo do ser humano, embora inicialmente possam dar uma sensação de bem-estar ao usuário. Os efeitos nefastos decorrem inicialmente da dependência física e psíquica que elas provocam. A dependência física altera a química do organismo, tornando-se indispensável ao indivíduo e a psíquica, quando o dependente não usa a droga, deixa-o em lastimável estado de depressão, abatimento e desânimo, perdendo o interesse pelo trabalho, pelo estudo e pela vida, passando o mesmo, a partir de certo estágio a não mais considerar os seus entes queridos ou quaisquer pessoas possíveis. O viciado ou dependente químico passa a viver noutro mundo, um mundo só dele, um mundo imaginário e inexistente.

Com a necessidade premente que o dependente da droga sente, possibilita um comércio rendoso, proibido e clandestino para os insanos traficantes, que se impõe à força, de forma abusiva e prepotente. Quadrilhas organizadas e armadas, sem qualquer escrúpulo e sem o menor respeito à vida, aos poderes constituídos, às leis vigentes, cultivam plantas entorpecentes, preparam, fabricam e refinam as drogas ilícitas e distribuem para os demais comparsas traficantes e estes repassam a altos custos para os tristes consumidores.

Irmanadas maleficamente com as drogas também estão as doenças sexualmente transmissíveis. As DST, como o próprio nome diz, são doenças transmitidas por meio das relações sexuais, assim como também acontece com vírus da AIDS, o HIV, especialmente por intermédio do sangue que pode ocorrer quando agulhas e seringas são compartilhadas para o uso de drogas injetáveis.

Mesmo com o advento do crack que vicia ao primeiro experimento, destrói e atinge principalmente a classe mais pobre, em sofrimento, degradação e morte, o uso de drogas injetáveis continua em ascensão no nosso país, em especial na classe média e alta. Com isso o número de pessoas contaminadas pelo vírus da AIDS devido ao uso em comum de agulhas e seringas, também cresce em altas proporções.

As drogas, assim como o sexo, encontram-se profundamente ancoradas na visão como fontes de satisfação, de sensação agradável, de dimensão de prazer, sem as quais seria inexplicável a atração por elas exercida, contudo, das duas opções, somente o sexo é realmente saudável, contanto que seja sexo seguro, ou seja, sexo praticado com preservativo.

Mas, o que geralmente acontece é que na vigência dos efeitos eufóricos das drogas a capacidade de negociar o uso de preservativo pode ficar prejudicada, pois a alerta de usar camisinha parece ser apenas um detalhe insignificante, com isso, a relação sexual acaba acontecendo sem proteção aumentando então o risco de disseminação e contaminação da AIDS tanto para o ativo quanto ao passivo do ato.

Assim, drogas e AIDS passeiam de mãos dadas pelos trágicos caminhos da vida arrastando os menos avisados para suas armadilhas, tal qual a aranha faz na sua invisível teia a caçar a sua indefesa presa.

Autor: Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br - archimedes-marques@bol.com.br

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